O Bulldog Francês

O Bulldog Francês é um pequeno cão muito utilizado como companhia.

Sua classificação pela FCI (Fedération Cynologique Internationale) é Grupo 9 - Cães de Companhia Seção 11 - Cães Molossos de Pequeno Porte Padrão FCI número 101 - última atualização em 06 de abril de 1998.
País de origem da raça: França
Nome da raça no país de origem: Bouledogue Français
Utilização: Companhia e lazer
Sem prova de trabalho.

Fonte: CBKC/FCI

Bulldog Francês: Touro em miniatura

Pequeno parisiense, o Bullodog Francês conquistou seu espaço com seu temperamento cômico e aparência exótica.

Estes baixinhos troncudos chamam a atenção por onde passam. Com sua cabecinha quadrada e divertidas orelhas de morcego, focinho largo e sua pele da cabeça que parece estar “sobrando” de algum lugar, o Bulldog Francês ou Frenchie Bulldog, como é comumente chamado, é um cão de pequeno porte robusto e muito engraçado. Apesar de controversa, a origem desta raça é atribuída aos parisienses e surgiu durante o século XIX. Nesta época, durante a Revolução Industrial, muitos imigrantes ingleses se instalaram no norte da França, e traziam consigo pequenos bulldogs chamados de toy bulldogs. Do outro lado, na Bélgica e na França, já existiam pequenos cães chamados de terriers boules ou ratiers, que eram raças desenvolvidas para a caça de ratos, resultado de cruzamentos entre pugs, affenpinschers e alguns terriers. Historiadores dizem que o bulldog francês surgiu da mistura entre estes dois tipos de cães, ou seja, os boules e os toy bulldogs.

Estes cães tornaram-se populares entre açougueiros, comerciantes, sapateiros, vendedores ambulantes, etc., transformando-se em estrelas dos ofícios humildes e bairros de Paris considerados populares na época, como Pantin, Belleville e Lês Halles. Pouco tempo depois, os Bulldogs Franceses conquistaram seu espaço entre as mulheres da Belle Époque (período de profundas transformações culturais) por seu aspecto excêntrico. O Bulldog Francês já serviu de inspiração para muitos pintores franceses, como Toulouse-Lautrec, que imortalizou o cão em seu quadro “Le Marchand de Marrons” (O vendedor de castanhas portuguesas) em 1901. Hoje, apesar de exótica, a raça desfruta de grande notoriedade no mundo todo. O Bulldog Francês foi reconhecido como raça em 1894 pela “Sociedade Central Canina” na França, ano em que foi fundado o Clube do Bulldog Francês, resultado da união entre dois clubes pré-existentes.

Temperamento da raça Bulldog Francês

Segundo a decoradora e criadora da raça desde 2003, Roberta Direnna, do Canil Direnna’s, o Bulldog Francês é um ótimo cão de companhia, além de amistoso e muito fácil de lidar. “O Bulldog Francês é um cão extremamente inteligente. Algumas vezes teimosos e manhosos, mas nunca difíceis no que diz respeito ao aprendizado.

Cuidados especiais com o Bulldog Francês

O principal cuidado que o dono de um Bulldog Francês deve ter, é com sua respiração. Por serem cães braquicefálicos, ou seja, possuem o focinho curto, costumam sofrer com as altas temperaturas e exercícios físicos demasiados. “Adoram correr brincar, nadar, etc., mas temos que ter certos cuidados, pois o calor e o excesso de exercícios podem levar a estados de hipertermia” alerta Roberta. Assim, quando for praticar alguma atividade com seu Bulldog Francês em dias decalor intenso, não esqueça de lhe dar água e de deixá-lo descansando em sombras refrescantes. Além disso, longas caminhadas e exercícios prolongados não são recomendados.

Características físicas do Bulldog Francês

Como juíza da FCI (Federação Internacional de Cinofilia) Roberta descreve as principais características da raça:

Corpo: É um cão compacto, forte, com crânio e massa de focinho potentes, orelhas naturalmente eretas, cauda naturalmente curta, enfim, um buldogue com um pequeno tamanho, a pelagem é curta.

Peso: O padrão pede no mínimo 8kg e no máximo 14kg, independente do exemplar se macho ou fêmea;

Tamanho: Altura e comprimento não são comentados, porém o mais importante inclusive em julgamento é que o exemplar tenha um conjunto harmônico;

Extraído de matéria feita pela revista Pequenos Cães no ano de 2011

HISTÓRIA DA RAÇA BULLDOG FRANCÊS

A origem do Bulldog Francês é controversa, mas é de opinião geral que seu berço é francês e que pertence ao grupo dos molossos.
Molossos são cães, na sua maioria, pesados, ossudos, de cabeça maciça, redonda ou em cubo, focinho em geral curto; lábios espessos e longos, stop considerável, corpo maciço, e tórax amplo. Diz-se que esses cães têm como ancestral em comum o antigo "molosso tibetano".

A Revolução Industrial – ocorrida em meados do século XIX - provocou a migração de artesãos ingleses, especialmente da região de Nottingham (Inglaterra), para o extremo norte da França, na região de Calais e Normandia. Esses artesãos ingleses carregavam consigo pequenos buldogues, chamados de "toy bulldogs".

O que eram os “toy bulldogs” é bastante especulado. Há quem diga que eram miniaturas de buldogues ingleses, escórias dos criatórios tradicionais que almejavam cães grandes e fortes. Há quem diga que resultados de acasalamentos entre buldogues ingleses, pugs e terriers de terras inglesas.

Por sua vez, em terras Belgas e Francesas, existam os "Terriers Boules ou Ratiers". Havia inclusive criadores dessa raça caçadora de ratos! Monsieur Charles Petit foi um parisiense, que criou terrier boules na Bélgica por muitos anos, antes de retornar à França com seus melhores cães. Os historiadores contam que entre os ancestrais dos terriers boules estão os pugs, os affenpinschers e alguns terriers.

Em solo francês, os toy bulldogs e terrier boules acasalaram-se e, os frutos dessa mistura agradaram. Eram ótimos no extermínio de roedores e bons de companhia. Em pouco tempo espalharam-se pelo país. Estes foram os primeiros exemplares dos "bouledogues françaises" (BULLDOGS FRANCESES)!

Os açougueiros e ajudantes do matadouro de La Villette, em Paris, foram os primeiros a criar o Bulldog Francês. Depressa foram imitados por cocheiros, sapateiros, vendedores ambulantes de frutas e até por agentes da polícia que se entusiasmaram com o pequeno Boule (Boule é a apócope de Bouledogue Français, nome francês do Bulldog Francês). Nos cafés organizavam-se reuniões para comparar os melhores exemplares; trocavam-se conselhos e, sobretudo, tentava-se obter cães mais fortes sem medir sacrifícios. Transformado na estrela de Paris dos ofícios humildes, o boule freqüentava os bairros populares de Pantin, Belleville e Lês Halles. O seu físico, o seu tamanho reduzido, a sua peculiar fisionomia, o seu caráter absolutamente encantador começaram a impor-se e a cativar os cada vez mais numerosos aficionados dos cães de cara chata.

Pouco depois, o Boule introduzir-se-ia nas casas públicas onde as mulheres de Belle Époqueo adotaram por causa do aspecto excêntrico. Imortalizado por Toulouse-Lautrec no seu quadroLe Marchand de Marrons (O Vendedor de Castanhas) em 1901, o Bulldog Francês percorria como um conquistador os Champs Elysées, os grandes boulevards, o Bois de Boulogne...

Mistinguett, Colette, Mac Orlan, o rei Eduardo VII e alguns grandes duques da coete da Rússia rendiam-se ao encanto deste pequeno cão exótico, cujo corpo musculoso e andar gingado evocavam os rufiões da feita. Este repentino interesse, fomentado pela tout Paris contribuiu em grande medida para o auge do Bulldog Francês que ainda hoje, apesar da raça ser considerada “exótica”, desfruta de grande notoriedade, principalmente no exterior.

Em 1888, foi fundado o 1º clube do Bulldog Francês oficial da raça, chamado “Clube Marcel Roger”. Nesta ocasião, o primeiro padrão do buldogue francês foi descrito:

  • aspecto de “pequeno Hércules”;
  • garganta larga e quadrada;
  • trufa arrebitada e retraída;
  • orelhas curtas e arredondadas;
  • exemplares com orelhas eretas devem formar outra classe em exposições;
  • machos devem pesar até 15 kg;
  • fêmeas devem pesar até 12,5 kg.
  • Em 1890, foi fundado o 2º clube francês oficial da raça, “Clube dos Amantes do Bulldog Francês”.

Em 1894, a “Sociedade Central Canina”, reconheceu o Bulldog Francês como raça e pediu a união dos dois clubes pré-existentes, dessa maneira, foi fundado o “Clube do Bouledogue da França”.

Assim, era possível ler na imprensa especializada: “Nós, ingleses, que sempre tivemos um grande afeto pelo nosso cão nacional (Bulldog Inglês), teremos que repudiar esse pequeno monstro indescritível que trouxeram para o nosso país, por mais que o chamem de Buldogue Francês”.

A raça foi reconhecida nos EUA em 1898. . Foram eles que organizaram o 1º clube do Bulldog Francês do mundo e foram eles que insistiram com as “orelhas de morcego”.

Um ponto de interesse histórico do Bulldog Francês: um Boule que foi segurado pelo valor “astronômico” (para a época) de U$750,00 (setecentos e cinquenta dólares) estava a bordo do famoso e naufragado Titanic. Seu nome era Gamin De Pycombe, propriedade do banqueiro Mr. Robert W. Daniels.

Realmente, o bulldog francês é uma das poucas raças que deve sua existência aos esforços de criadores de diferentes países, França, Bélgica e Estados Unidos.